Artigo de Opinião #1

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Hugo Plácido da Silva

23 de Fevereiro de 2018


HUGO SILVA 
Doutorado em Eng. Electrotécnica e de Computadores pela Universidade de Lisboa.
Iinvestigador no IT – Instituto de Telecomunicações.
Docente na EST/IPS– Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal.
Co-fundador de PLUX – Wireless Biosignals, onde desempenha atualmente funções como Director de Inovação.
Projeto Recente: BITalino  – um kit de hardware de baixo custo e software de código aberto.
Áreas de Interesse:  Aquisição e Processamento de Sinais Biomédicos, Engenharia de Sistemas e Reconhecimento de Padrões
Emailhsilva@lx.it.pt


O que achas da Impressão 3D / Fabricação Aditiva e qual é o seu potencial?

É absolutamente revolucionário… a capacidade que existe hoje para montar uma pequena fábrica de prototipagem modifica completamente as dinâmicas de desenvolvimento de produto. No passado os ciclos de desenvolvimento eram muito condicionados por factores como os custos e tempos de produção de pequenas séries sempre que existia necessidade de recorrer a encapsulamentos para electrónica ou componentes moldados. Hoje em dia, quase que basta pensar num projecto e em poucas horas vê-lo materializado fisicamente a partir da nossa sala de estar. A impressão 3D hoje em dia tem potencial para transformar quase todas as fases do ciclo de desenvolvimento de produtos que tenham uma extensão física, desde a análise de geometrias dos objectos, apoiar em testes de ergonomia / usabilidade de forma rápida e fácil, criação de ferramentas para programação e testes automatizados dos sistemas desenvolvidos, e até produção para cliente final nas fases de arranque e validação do potencial de mercado dos produtos.

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http://www.instructables.com/id/Wolverino

Além disso a impressão 3D pode ser também uma diversão fenomenal! 😉

O que pensas que poderia ser feito para minimizar barreiras à democratização desta tecnologia?

As principais barreiras creio que já foram eliminadas há vários anos, nomeadamente, o custo, considerando que hoje já se encontram impressoras a começar nos €150/€200, e a formação, considerando a oferta de sites com modelos já feitos, workshops, tutoriais e outros recursos que fazem com que qualquer pessoa possa imprimir um objecto físico quase como imprime os seus documentos escritos em Word. Uma limitação importante penso que ainda continua a ser a componente modelação 3D, dado que existe sempre uma curva de aprendizagem que me parece ser um factor dissuasor para algumas pessoas. De qualquer modo também me parece que a impressão 3D talvez já se possa considerar democratizada, tendo em conta daquilo que é o perfil deste tipo de tecnologia. Actualmente vêem-se impressoras 3D em escolas, espaços colaborativos de fabricação (aka FabLabs), hobistas e profissionais independentes, pequenas empresas, laboratórios de investigação, centros de desenvolvimento em fábricas de industrias estabelecidas (e até mesmo em linhas de produção). Penso que é aqui que a impressão 3D é um verdadeiro activo; a visão de que, no limite, poderá vir a ser uma presença na casa de todas as pessoas parece-me mais dificil de materializar dado que para um utilizador comum a percepção de valor acrescentado parece-me que em geral não justifica o investimento ou a logística associada. De resto, já várias outras tecnologias no passado tiveram trajectos semelhantes.

Quais são as tendências e expetativas de desenvolvimento futuro desta tecnologia?

Tem-se assistido a uma actividade muito intensa a nível de aumento da versatilidade dos equipamentos, por um lado a nível de materials (ex: emborrachados, derivados da madeira, metais, vidros, etc.) e por outro lado a nível da possibilidade de utilização de várias ferramentas com a mesma máquina. Esta última parece-me particularmente bem conseguida, uma vez que com o mesmo equipamento passa a ser possível impressão 3D, corte laser, milling por CNC e outras operações de precisão extremamente úteis no contexto de prototipagem e desenvolvimento de produto. A possibilidade de mistura de cores na própria cabeça de impressão é também um avanço interessante. No entanto os desenvolvimentos mais significativos poderá passar pela redução dos tempos de impressão com boa definição (em particular o SLA) e pela incorporação de técnicas de inteligência artificial como auxiliar à criação de modelos; já existem vários avanços neste domínio que possibilitam que um utilizador comum possa por exemplo criar automaticamente um modelo 3D a partir de uma foto ou imagem 2D da sua preferência sem depender unicamente de softwares de modelação.

Achas que o movimento Maker é importante para a adoção da tecnologia? Porquê?

O movimento Maker é fundamental para a adopção desta tecnologia uma vez que demonstra constantemente não só o que é possível fazer com impressão 3D, como também formas de ir além daquilo que são as preconcepções e os conhecimentos estabelecidos no meio. Além disso há também o efeito de comunidade / rede, que faz com que pessoas que estejam a começar consigam encontrar respostas para as suas dúvidas, progredir nos seus projectos, aprender com outros e ensinar também.


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