Artigo de Opinião #3 – Inês Vila

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Inês Vila

7 de Abril de 2018


Inês Vila
Nasceu no Caramulo em 1975, licenciada em História de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, especializou-se em Ciências Documentais (Biblioteca e Documentação) pela Universidade Portucalense.
Dirige os diferentes serviços da Biblioteca Municipal e coordena a Rede de Bibliotecas do Município de Ílhavo. Desde 2011 que implementa o “Ao som das histórias”, projeto vencedor da 3.ª edição do Prémio Boas Práticas em Bibliotecas Públicas Municipais. 
Tem apresentado diferentes comunicações e posters na área da promoção da leitura, em novembro de 2017 implementou o primeiro Makerspace numa Biblioteca Pública portuguesa. 
Integrou, em 2015, o grupo de 30 bibliotecários ibero-americanos selecionados para o programa de formação INELI (International Network of Emerging Library Innovators) financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates e operacionalizado pela Fundación Germán Sanchéz Ruipérez e pelo Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina y el Caribe (CERLALC).

É atualmente Presidente do Conselho Diretivo Regional Centro da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD).
Acredita que são as pessoas que fazem as Bibliotecas. Quando tem tempo gosta de viajar por aí!
Emailinesvvila@gmail.com Twitter: @inesvvila 


Como surgiu a ideia de montar o primeiro Makerspace numa Biblioteca Pública em Portugal?

Tudo começou com a minha participação no programa INELI Iberoamérica (International Network of Emerging Library Innovators) que visava, depois de vários momentos de formação no espaço iberoamericano (em Madrid e na Colômbia), a apresentação final de um projecto e a sua respectiva implementação na biblioteca. A juntar a isso, a descoberta de espaços makers em bibliotecas que fui visitando, fora de Portugal, levou-me naturalmente a ler mais e a pesquisar sobre este tema, e a descobrir as potencialidades do mesmo.

Por outro lado, a utilização do espaço da Biblioteca Municipal de Ílhavo pelas famílias, com crianças e jovens, nos nossos ateliês criativos que precedem a hora do conto, aos sábados, ou mesmo durante o período das férias, permitiu-me concluir que a biblioteca podia oferecer um pouco mais a todos os que a frequentam, levando-os à experimentação e criação dos seus próprios “trabalhos”.

Porque um Makerspace e não outro tipo de espaço?

Os espaços maker, são já muito comuns no estrangeiro. Por exemplo, nas bibliotecas públicas ou escolares americanas, existe sempre um espaço maker – um espaço de criação; também em importantes bibliotecas europeias estes espaços são cada vez mais comuns. Este espaço fazia falta à Biblioteca Municipal de Ílhavo, uma vez que os utilizadores procuram-nos não só para o empréstimo de livros ou para acesso aos computadores…, procuram outras respostas a necessidades do seu dia a dia, que aqui pretendemos responder.

Porque é que acha importante ter um Makerspace numa comunidade, especialmente inserido numa biblioteca pública? Que benefícios traz?

Num Município como o de Ílhavo, onde existem já implementadas várias empresas vocacionadas para as novas tecnologias, onde está instalado um Parque de Ciência e Inovação, consideramos que era uma prioridade para a Biblioteca Municipal, face a estas potencialidades, contribuir para o desenvolvimento das competências dos seus utilizadores, dando-lhes mais e novas ferramentas que lhes permitam uma melhor integração na comunidade onde vivem. Penso que esse também é o papel da Biblioteca Municipal — responder às necessidades da sua comunidade. Este projeto foi pensado e estará disponível para todos os nossos atuais e futuros utilizadores. O espaço funciona em regime de livre acesso, no entanto, a formação e as atividades (workshops) são sempre sujeitas a inscrição prévia obrigatória. Estes workshops ou formações, permitem depois aos nossos utilizadores usufruírem do espaço, e utilizarem todos os equipamentos e a ferramentas que nele existem, para a execução das suas criações.

Makerspace BMI

 Makerspace BMI

Makerspace BMI
Makerspace BMI

O grande benefício do nosso “Makerspace BMI – Juntos Fazemos!” é responder ao objetivo a que nos propusemos: disponibilizar um espaço vocacionado para a criatividade, a experimentação, mas também, para a inclusão social, que segue a filosofia do movimento Maker: “a biblioteca é transformada num espaço onde se trabalha junto a outros, onde se experimenta, joga e aprende, a biblioteca transforma-se em espaço de aprendizagem e de relação com a comunidade. Este espaço passa a ser visto como gerador de conhecimento que a biblioteca pode depois difundir”.

 

A Impressão 3D faz parte do vosso Makerspace, o que pensa desta tecnologia e da sua crescente popularidade?

Li recentemente numa publicação que a Impressão 3D faz parte das “dez tecnologias que podem mudar as nossas vidas”. De facto, acredito que possa ser verdade. Penso que esta tecnologia serve a nossa criatividade, na resposta a algumas necessidades do dia a dia, de uma forma mais rápida e com um custo de produção/impressão muito mais em conta do que outros processos — é mais rápido e mais barato imprimir uma caneca numa impressora 3D do que produzi-la em cerâmica. Acredito mesmo que a popularidade da impressão 3D ainda não atingiu o seu auge. Pelo que vejo aqui, no nosso espaço Maker, muitos são os utilizadores que se surpreendem com as suas potencialidades, as quais não conheciam.

A tecnologia de Impressão 3D incorporada nos Markerspaces faz sentido? Porquê?

Faz todo o sentido. Tal como vamos agora disponibilizar uma máquina de costura, ou como já o fazemos com os ferros de soldar ou simplesmente com as tesouras e réguas… a impressão 3D é um serviço básico que, acreditamos, deve estar disponível a todos os utilizadores. Um Makerspace deverá estar dotado de todas as ferramentas e equipamentos, quer sejam tecnológicas ou não, para tentar responder às necessidades das suas comunidades – utilizadores. No nosso caso, tentamos que o espaço dê acesso a ferramentas e equipamentos diferenciados, que permitam aos utilizadores fazer, criar, mudar — nomeadamente a Impressão 3D ou recicláveis (papeis e plásticos).

Nos dias de hoje, em que as bibliotecas públicas já prestam vários serviços básicos às comunidades — acesso a computadores, internet, impressão, entre outros —, parece-me que faz todo o sentido acrescentar o acesso à impressão 3D, mesmo que a biblioteca ainda não tenha um espaço maker.

Como imagina o futuro das bibliotecas?

Um futuro muito risonho! 🙂 Pois as bibliotecas são feitas de pessoas: as que trabalham nelas e as que diariamente as visitam procurando respostas às suas necessidades… e, que são cada vez mais e mais abrangentes!


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